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2011

 

Bruma-espuma ao amanhecer

Galeria DConcept - São Paulo/SP​

Curadoria: Pieter Tjabbes

Fotos: Marcos Muzi

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por Pieter Tjabbes

 

Desenhos vêm da alma. São a ligação mais direta entre a mente e o meio. A mão e o material se juntam num exercício de liberdade e permitem que a criatividade reine sem restrições.

 

A conexão de Marina Ayra com a história da arte acontece claramente na Belle Époque, com sua veneração da linha, da elegância e da poesia. A mulher figura como musa. Mas essa inspiração só podia acontecer porque Marina vive no mundo de hoje e conhece, também, a obra da Mira Schendel. Vive na cidade frenética de São Paulo. E é ao passar por todas essas experiências que a sua mente pode se abrir novamente para o passado. Dessa mescla nasce uma obra nova, sensível, densa, apesar da leveza do traço. Consegue juntar a elegância superficial do Art Nouveau ao sentimento existencial de Egon Schiele e à poesia investigativa de Mira.

Existe uma forte conexão, ainda que inconsciente, com a arte oriental. Em algumas das obras mais recentes entra uma questão mais existencial: atrás do mundo das fadas existe um mundo real e cruel: a delicadeza do traço é interrompida por manchas vermelhas, escorridas, como se fossem feridas. É na tensão entre o belo e a expressão do mundo interior que nasce a obra de arte.

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